Sabbath: Mabon - Equinócio de Outono

terça-feira, 21 de março de 2017


O outono chegou no hemisfério sul, e os pagãos comemoram o Equinócio, chamado de Mabon, também conhecido como Festival da Segunda Colheita. Quem ainda não se entrosou totalmente com o paganismo, deve estar confuso agora, afinal, pelas redes sociais, vimos muitas postagens com banners chamativos de “Ostara Blessings”. Na verdade, Ostara é o Sabbath que celebra a entrada da primavera. Portanto, não é conveniente seguir a Roda do Ano do hemisfério norte. Sendo assim, vamos falar de Mabon (leia: Meibon) e aprender um pouco mais dessa celebração, seus significados e simbolismos.

O Festival da Segunda Colheita marca o início do Outono, acontece em pleno Equinócio. Tal como o Lammas, é também uma celebração de agradecimento pelos frutos colhidos, pela sabedoria obtida, por tudo que conquistamos. Porém, antes de prosseguir nesta matéria, creio que cabe uma rápida explanação sobre o que é Equinócio.

— EQUINÓCIO —
É quando o Sol reflete com mais intensidade sobre a linha imaginária do Equador, deixando dias e noites iguais, com a mesma duração. O Equinócio de Outono também é conhecido como Ponto Libra, e o de Primavera, Ponto Vernal.

Mabon anuncia um tempo de reflexão, onde o Deus se torna a semente plantada no ventre da Grande Deusa pela sua própria força viril. É a época em que o Sol (Deus) perde suas forças, diminuindo sua intensidade sobre a Terra. A colheita foi realizada, e os campos estão vazios. Toda essa metáfora nos leva a meditar sobre a vida, a morte e o renascimento, incitando em nós a crença de que não há fim, apenas transformação, evolução. A semente é plantada, nasce, cresce, dá frutos que são colhidos para nosso sustento. Então, no outono, suas folhas caem sobre a terra, adubando o solo, fortificando a plantação para que novos frutos renasçam na próxima estação.
É tempo de recolhimento, de olhar para dentro de nós mesmos, de buscar o autoconhecimento e de se deixar ser transformado no ventre da Deusa. Falta pouco para o inverno, e o calor humano se faz necessário. Ficamos mais próximos da família e dos amigos. Cernunnos é a divindade reverenciada no Mabon, porém, toda essa ansiedade pelo calor humano também coloca Oengus, Deus celta do amor, como ícone de adoração no Festival da Segunda Colheita.
Nas celebrações do Mabon, o altar é adornado com as sementes que agora foram plantadas, metaforicamente falando. Trata-se, na verdade, das ideias que serão trabalhadas durante esse período. Sendo assim, além das sementes (literais), você também pode colocar sobre o altar algo que represente esses novos projetos, ainda que seja apenas um papel com todas as ideias escritas. Falando das literais, quais sementes colocar? Pode ser semente de girassol, espigas de milho, feixes de trigo ou frutas que contenham sementes, qualquer coisa que lembre fartura, prosperidade, vida! Simbolizando o outono, também costumamos colocar algumas folhagens secas de vários formatos e tamanhos.

— CELEBRANDO O MABON —
Não é preciso luxo, sua fé e tudo que está em seu coração é o que realmente importa. Na verdade, uma alma que é grata a tudo já é o bastante aos Deuses. Porém, se você tem condições de fazer algo mais elaborado, que assim seja, afinal, as dádivas te foram dadas, e a retribuição é sempre bem aceita.
Neste ponto, você já deve ter uma noção básica de como montar seu altar, seja ele simples ou mais elaborado. Deixe que sua intuição te guie, aproveite as sugestões que foram dadas e complemente com as representações dos Elementais (velas: amarela para o Ar, vermelha para o Fogo, azul para a Água e marrom ou verde para a Terra / símbolos: pena ou incenso para o Ar, pimenta ou pratinho com enxofre para o Fogo, copo de água ou conchas do mar para a Água e um vaso de flores ou uma fruta para a Terra) e dos Deuses (cálice ou vela roxa para a Deusa, athame ou vela branca para o Deus). Caso queira fazer alguma oferta, que seja com o coração aberto e disposto. Você pode ofertar maçãs para a Deusa e pedras marrons para o Deus. Coisas simples, não se preocupe tanto com isso.
Inicie seu ritual como de costume, traçando o Círculo, invocando os Elementais e os Deuses. Faça orações espontâneas. Simbolizando a agonia do Deus pela morte que desponta, espalhe algumas folhas secas pelo chão. Fale, de maneira poética ou como conseguir, sobre esse simbolismo (O Sol enfraquece, mas a noite nos cobre, e sempre teremos calor, por mais fraco que seja... O Deus se vai, parte para a Terra do Eterno Verão para restaurar suas forças...). Use a imaginação, deixe-se ser levado pelo seu coração. Agradeça... Agradeça muito! Afinal, houve colheita. Agradeça até mesmo pelos “frutos podres”, pois muito te ensinaram, e agora você já sabe como plantar, como cuidar e como colher.
Estamos em plena Lua Minguante, então, os feitiços devem ser voltados apenas para limpeza, purificação e banimento. Feitiços de proteção também são bem vindos e muito sugeridos.
“Mabon sempre acontece nessa fase lunar?”... Não, nem sempre, tudo depende mesmo do posicionamento da Lua com o passar dos anos. Sendo assim, caso ocorra de o Mabon conciliar sua chegada com a Lua Nova, por exemplo, muitos feitiços de prosperidade, de amor e de harmonia em família podem ser realizados.
Caso queira realizar um banquete, ainda que singelo, sugerimos pães de milho, creme de abóbora, salada de feijão e bolo de frutas... Tudo regado a um saboroso vinho!

*Atenção: se você tem algum problema de saúde que te obrigue a tomar medicação controlada ou te impeça de consumir bebida alcoólica, use suco de uva!

Por fim, agradeça pela presença dos Deuses e dos Elementais, despeça-se com respeito e feche o círculo. Pronto, está feito, seu Festival da Segunda Colheita foi celebrado e os Deuses receberam a gratidão que foi ofertada.

Caso tenha alguma dúvida ou precise de conselhos particulares, fale conosco:
dragoesdaluanegra@gmail.com

Abençoado Mabon a todos!






*Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal. A reprodução parcial ou total deste texto, sem prévia autorização, está terminantemente proibida e é protegida por lei*.

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